Foto: International Lightning Class Association
O Lightning tem quase 90 anos, mais de 15 mil unidades construídas e uma frota ativa em mais de uma dezena de países. Rápido para quem já compete, simples para quem está começando.
O Lightning nasceu no lago Skaneateles, no estado de Nova York. Um grupo de velejadores queria um barco grande o bastante para passear com amigos, pequeno o bastante para correr, e simples o bastante para ser construído em casa. O desenho, o projeto nº 265, saiu da prancheta de Olin Stephens, do escritório Sparkman & Stephens — o mesmo nome por trás de barcos históricos da América's Cup.
O casco número 1 foi lançado n'água em outubro de 1938. No inverno seguinte, numa feira náutica em Nova York, o barco virou sensação e os pedidos começaram a chegar. Stephens e a família Barnes, donos do estaleiro, doaram os direitos do desenho para a recém-criada associação da classe — decisão rara, que manteve o Lightning acessível e sempre com as mesmas regras para todo mundo.
1938
Hull nº 1 é lançado em Skaneateles. Casco em madeira, construção caseira com compensado.
1948
Dez anos depois, mais de 4.000 barcos já tinham sido construídos nos Estados Unidos.
1962
A classe passa a construir em fibra de vidro, reduzindo manutenção sem perder o desenho original.
Hoje
Mais de 15 mil cascos construídos e frotas ativas em mais de uma dezena de países, incluindo o Brasil.
O Lightning já passou pelas mãos de nomes como Ted Turner, Dennis Conner e Buddy Melges antes de eles se tornarem lendas da vela oceânica e da América's Cup — para muita gente, o Lightning foi o primeiro barco de verdade. Calendário, regras e frotas de todo o mundo estão reunidos no site da classe, lightningclass.org.
Especificações oficiais da classe (Design nº 265, Sparkman & Stephens).
5,79 m
Comprimento total
1,98 m
Boca
318 kg
Deslocamento
1,51 m
Calado, bolina baixa
7,90 m
Altura do mastro
16,4 m²
Vélico (main + genoa)
27,9 m²
Área do spinnaker
3 pessoas
Tripulação de regata
Casco
Fibra de vidro desde 1962 (originalmente madeira). Fundo chato com quinas vivas (hard chine), planador.
Bolina e leme
Centerboard retrátil e leme de espelho de popa — fácil de colocar na água e de trailerar.
Boato único
Classe monotipo: todos os barcos seguem a mesma regra, fabricantes licenciados pela associação da classe. A regata se decide pela tripulação, não pelo orçamento.
Olin Stephens fechou o desenho no fim de 1935; o casco nº 1 saiu da prancheta só em 1938. Os planos originais foram vendidos à associação da classe, que hoje licencia a construção a estaleiros autorizados — é por isso que um Lightning novo, de qualquer fabricante, sai igual a outro de 1962.
Timoneiro, meio e proa dependem um do outro em cada manobra. É um barco que se aprende em equipe, não sozinho.
O fundo chato plana e o hard chine exige trimagem fina — tem curva de aprendizado por anos, mesmo para quem já compete.
Classe monotipo: o barco do campeão é igual ao do estreante. Quem decide a regata é a tripulação.